19 de junho de 2026

De Itaquera ao registro de marcas: como André de Almeida transformou um problema que via nos clientes em negócio próprio

André, CEO Estartar.

Administrador de carreira na contabilidade, ele percebeu empresas perdendo marcas por falta de registro, estudou o tema, registrou a própria marca e replicou o modelo até virar operação. Em 2026, deixou a gerência para tocar a Estartar em tempo integral.

1. A periferia como ponto de partida

André de Almeida tem 30 anos e uma trajetória que começou longe dos holofotes do empreendedorismo. Natural de Itaquera, na zona leste de São Paulo, ele construiu a carreira de baixo para cima: administrador com registro ativo no Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP nº 6-008796), entrou no mercado de trabalho ainda jovem e foi se especializando em gestão dentro do setor contábil.

Em 2015, ingressou na Vexsea Contabilidade, onde permaneceu por onze anos e chegou ao cargo de gerente aos 27. Foi nesse período, lidando de perto com a rotina de empresas de todos os portes, que ele atuou enquanto a base de clientes da contabilidade crescia de 200 para 750. O contato diário com pequenos negócios também o colocou diante de um problema que se repetia.

2. O problema que ninguém via como problema

Ao longo dos anos, André observou um padrão silencioso: empresas que investiam tempo e dinheiro construindo um nome no mercado e, de repente, descobriam que não eram donas dele. Por falta de registro no INPI, perdiam a própria marca, às vezes depois de anos de operação. Era um risco invisível para quem estava começando, e raramente tratado como prioridade.

Em 2019, ele viveu sua primeira experiência empreendedora com a startup Ué, Achei. O negócio não sobreviveu à pandemia, encerrando as atividades por falta de caixa. A frustração, porém, virou combustível. Em vez de abandonar o empreendedorismo, André decidiu se aprofundar justamente no tema que vinha observando: a proteção de marcas.

3. Aprender fazendo: do próprio registro ao modelo replicável

André estudou propriedade intelectual, buscou certificação e conduziu pessoalmente o registro de uma marca, do depósito até a concessão. Com o processo dominado na prática, passou a replicar o modelo: primeiro para amigos e contatos, depois para empreendedores que chegavam por indicação. O que começou como um serviço pontual foi ganhando corpo.

Sem largar o emprego, ele construiu uma operação sólida em paralelo ao cargo de gerente. A Estartar nasceu dessa base. Hoje sediada na Barra Funda, em São Paulo, a empresa já atendeu centenas de empreendedores, oferecendo um caminho que vai da consultoria inicial ao registro efetivo da marca junto ao INPI.

4. A virada: apostar tudo na Estartar

Em março de 2026, André tomou a decisão que vinha amadurecendo: deixou a gerência na contabilidade para se dedicar integralmente à Estartar, agora seu principal negócio. A meta para o ano é ambiciosa: triplicar a base de clientes e o faturamento, além de inaugurar a primeira filial da empresa em Caraguatatuba, no litoral norte paulista, onde também passou a viver.

O empreendedorismo, aliás, nunca foi atividade isolada para ele. André é sócio da Green BPO, ainda que sem atuação frequente no dia a dia, cofundador da Quadro Go e está desenvolvendo a Acena Aí, com lançamento previsto para 2026. As iniciativas seguem em fase de testes, mas reforçam um perfil de quem prefere construir a esperar.

5. A tese por trás do negócio

À frente da Estartar, André defende uma ideia que resume sua leitura de mercado: proteger a marca deixou de ser assunto exclusivo de grande corporação e virou estratégia essencial para o pequeno negócio. Para ele, o empreendedor que adia esse cuidado não está economizando, está se expondo a perder aquilo que construiu.

É uma convicção que nasceu da observação de quem viu o problema acontecer repetidamente, antes de decidir oferecer a solução. E que, agora, vira o eixo de uma empresa pensada para tornar a propriedade intelectual acessível a quem mais precisa dela e menos costuma priorizá-la.

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