Banhos quentes e clima seco comprometem a barreira cutânea. Saiba quais ativos incluir na rotina, como adaptar o skincare e os erros mais comuns na estação mais fria do ano
Com a chegada do inverno, a queda brusca das temperaturas e a diminuição da umidade do ar trazem um alerta para a saúde da pele. Se por um lado a estação convida ao aconchego, por outro, ela inaugura uma temporada de desafios: o ressecamento intenso, a sensibilidade e a perda do viço natural. Mas, segundo especialistas, pequenos ajustes na rotina podem transformar os meses frios na melhor época para cuidar de si.
Para entender como proteger o rosto e o corpo das agressões climáticas, conversamos com a Dra. Maria Paula Del Nero, dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), e com Tatianne Morais, farmacêutica e CEO da Abalô Cosméticos.
A temporada dos tratamentos (e dos desafios)
O inverno é frequentemente considerado a época de ouro para procedimentos dermatológicos. Segundo Tatianne Morais, a menor exposição solar e a redução das atividades ao ar livre facilitam a recuperação de intervenções como peelings e lasers.
Contudo, os cuidados básicos não devem tirar férias. “O inverno traz desafios importantes, como o ar mais seco e os banhos muito quentes, que podem comprometer a barreira cutânea”, explica Tatianne. Ela ressalta que, independentemente da estação, os pilares do cuidado continuam sendo a higienização adequada, a hidratação e a fotoproteção diária.
A “parede de tijolos”: entendendo a barreira cutânea
A hidratação não é apenas uma questão estética, mas de saúde. A Dra. Maria Paula Del Nero enfatiza que manter a pele hidratada ajuda a preservar uma barreira de proteção saudável, prevenindo irritações e o envelhecimento precoce.
Para ilustrar a importância dessa proteção, Tatianne Morais usa uma analogia simples: “Gosto de comparar a barreira da pele a uma parede de tijolos. As células são os tijolos, e os lipídios que ficam entre elas funcionam como o cimento”. O clima frio e seco enfraquece essa estrutura, permitindo que a hidratação escape.
O poder dos ativos certos
Mais importante do que usar um único ingrediente milagroso é buscar a combinação de mecanismos complementares (umectação, emoliência e oclusão). Entre os ativos de destaque recomendados pelas especialistas estão:
- Para reter água: ácido hialurônico, glicerina e pantenol.
- Para fortalecer e acalmar: niacinamida e aloe vera.
- Para evitar a perda de água (oclusão): esqualano, ceramidas e óleos vegetais.
- Para renovação com hidratação: gluconolactona (que também tem ação antioxidante).
Como adaptar a rotina para o seu tipo de pele
Um dos erros mais comuns é manter a mesma rotina leve do verão durante o auge do inverno. No entanto, cada tipo de pele exige uma abordagem específica na hora de escolher a textura do produto. A Dra. Maria Paula alerta que receitas caseiras não são a melhor opção e podem até causar irritações, sendo crucial optar por cosméticos dermatologicamente testados.
Abaixo, um guia prático para acertar na escolha do hidratante:
Pele oleosa e acneica: gel, gel-creme ou séruns (oil-free e não comedogênicos). Sim, peles oleosas também precisam de hidratação! O ácido hialurônico é excelente por ser leve.
Seca ou madura: cremes mais densos e nutritivos. Fórmulas reparadoras. O uso de óleos de banho também ajuda na retenção hídrica do corpo.
Sensível: fórmulas calmantes e reparadoras. A combinação de ácido hialurônico com niacinamida é altamente recomendada.
Passo a passo: onde o hidratante entra na rotina?
A ordem de aplicação dos produtos faz toda a diferença na absorção e eficácia. A Dra. Maria Paula Del Nero ensina a sequência correta para o dia a dia:
- Limpeza suave: lave o rosto com um sabonete adequado (evite os muito agressivos).
- Tratamento diurno: aplique a vitamina C.
- Hidratação: espalhe o hidratante suavemente no rosto, pescoço e colo. Dica extra da Dra. Maria Paula para potencializar: borrife água termal antes do creme!
- Proteção solar: indispensável, mesmo nos dias frios e nublados.
- Rotina noturna: o hidratante deve ser aplicado após o banho/higiene da pele e antes do uso de ácidos noturnos.
3 erros comuns que você deve evitar no inverno
As especialistas são unânimes ao apontar os vilões da pele durante a estação:
- Banhos ferventes e demorados: a água muito quente “derrete” o cimento lipídico da pele, removendo sua proteção natural e causando a sensação de repuxamento.
- Esquecer a hidratação e o protetor solar: acreditar que o frio dispensa o uso de filtro solar é um equívoco perigoso. Além disso, reduzir o consumo de água potável no inverno piora o desconforto e o ressecamento do corpo de dentro para fora.
- Uso exagerado de sabonetes e esfoliantes: a limpeza excessiva, principalmente no corpo, pode ser amenizada com o uso de óleos de banho. “Para pessoas com pele muito seca ou madura, os óleos podem até substituir o sabonete em algumas regiões, promovendo uma limpeza mais suave”, sugere Tatianne Morais. Recomendação de ouro: aplique o óleo na pele ainda seca, antes de entrar no chuveiro.

